terça-feira, 4 de setembro de 2007

CAPELA DE SÃO GONÇALINHO (AVEIRO)


A Capela de São Gonçalo, de São Gonçalinho, ou de São Gonçalo de Amarante, situa-se no Bairro da Beira Mar, bem junto de alguns dos canais da Ria de Aveiro, na freguesia da Vera Cruz. A Capela de São Gonçalinho, diminuitivo como, carinhosamente, este Santo é chamado pelas gentes deste bairro da Beira Mar, foi construída em princípios do século XVIII (ano de 1714), em honra deste santo que, apesar de nunca ter estado em Aveiro, adoptaram como seu padroeiro e lhe atribuiem o poder de curar doenças ósseas e a resolução de problemas conjugais.


Na construção da
capela foi utilizada pedra de Ançã. O portal da sua fachada, igualmente feito deste tipo de pedra calcária, é encimado por um nicho onde se insere a estátua seiscentista de São Gonçalo de Amarante. O mesmo nicho é enquadrado pelas aletas, que o ladeiam. Os retábulos, no interior, em madeira, são setecentistas.
No Domingo mais próximo do dia 10 de Janeiro, os habitantes deste bairro da cidade de Aveiro levam a cabo os festejos em honra de São Gonçalinho. Uma das singularidades destes festejos relaciona-se com o “pagamento” ou cumprimento das promessas, por parte dos fiéis e romeiros do Santo, e que consiste no atirar de
cavacas (bolos secos feitos de claras de ovos, farinha e cobertos de açúcar), a partir do corredor lateral que circunda a cúpula da capela, em direcção à multidão que, em baixo e à volta desta, utiliza os mais variados utensílios para apanhar os referidos doces, que depois comem ou levam para as suas casas. São inúmeros os quilos de cavacas que são lançados durante os dias dos festejos.

Outro ritual desta festa, realizado no interior da capela, relaciona-se com a “entrega do ramo” aos mordomos encarregues da romaria do ano seguinte. Trata-se de um ramo de flores artificiais, conservado há muitos anos, tendo, por isso, um alto valor simbólico. A festa de S. Gonçalinho inclui, ainda, a “Dança dos Mancos”, ritual realizado também dentro da pequena capela. Esta dança é executada por um grupo de homens que, fingindo-se de mancos e deficientes físicos, se movem, circularmente, mancando e dançando ao som de cantares populares entoados pelos próprios.



A capela foi classificada pelo
IPPAR em 2003 como Imóvel de Interesse Público

DOCES DE AVEIRO: OS OVOS MOLES!!!!!


Aveiro por excelência.


Ovos Moles é um doce muito conhecido e bastante apreciado tanto no país como no estrangeiro. Já Eça de Queiroz, na sua obra "Os Maias", faz referência a esta iguaria:"São seis barrilinhos d’ovos moles de Aveiro. É um doce muito ‘chic’ ... Pergunte V. Exª ao Carlos. Pois não é verdade, Carlos, que é uma delícia, até conhecido lá fora?" Apesar da evolução dos tempos, e consequente modernização das práticas e técnicas de fabrico, ainda é possível encontrar locais em que a receita original e os processos de confecção desta iguaria não se alteraram. Aí, são os pequenos detalhes, como o uso do forno a lenha, a panela de cobre, o uso de taças de barro e a colher de pau, que dão o verdadeiro sabor aos Ovos Moles. O seu fabrico engloba uma série de passos, que vão desde a separação das gemas das claras, à preparação de uma mistura de água e açúcar à qual se juntam os ovos ( e é aqui que reside o segredo). O passo seguinte é o enchimento das formas de hóstia. Os motivos dos moldes destas formas são ancestrais (peixes, conchas, búzios e barricas) e estão ligados à ria e ao meio piscatório de Aveiro. Os feitios em charuto e nozes surgiram mais tarde, ligados às festas populares e ao Natal.Seguidamente, as hóstias são fechadas numa caixa de madeira, prensadas e depois recortadas, sendo depois colocadas numa estufa para secarem e adquirirem uma certa consistência. Por fim, os Ovos Moles levam um banho de calda de açúcar e água muito quente, para se conservarem.
GASTRONOMIA
Raia de Pitau
Bacalhau com Natas
Raivas
Caldeirada de enguias
4 de Setembro de 2007

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segunda-feira, 3 de setembro de 2007

História da Cidade de Aveiro

No documento de doação testamentária efectuada pela condessa Mumadona Dias, ao mosteiro de Guimarães em 26 de Janeiro de 959, consta a referência a
"Suis terras in Alauario et Salinas", sendo esta a mais antiga forma que se conhece do topónimo Aveiro.


No século XIII, Aveiro foi elevada à categoria de vila, desenvolvendo-se a povoação à volta da igreja principal, consagrada a S. Miguel e situada onde é, hoje, a Praça da República, vindo esse templo a ser demolido em 1835.

Mais tarde, D. João I, a conselho de seu filho, Infante D. Pedro, que, na altura, era donatário de Aveiro, mandou rodeá-la de muralhas que, já no século XIX, foram demolidas, sendo parte das pedras utilizada na construçào dos molhes da barra nova.

Em 1434, D. Duarte concedeu à vila privilégio de realizar uma feira franca anual que chegou aos nossos dias e é conhecida por Feira de Março.

Em 1472, a filha de Afonso V, Infanta D. Joana, entrou no Convento de Jesus, onde viria a falecer, em 12 de Maio de 1490, efeméride recordada actualmente, no feriado municipal. A estada da filha do Rei teve importantes repercussões para Aveiro, chamando a atenção para a vila e favorecendo o seu desenvolvimento.

O primeiro foral conhecido de Aveiro é manuelino e data de 4 de Agosto de 1515, constando do Livro de Leituras Novas de Forais da Estremadura.

A magnífica situação geográfica propiciou, desde muito cedo, a fixação da população, sendo a salinagem, as pescas e o comércio marítimo factores determinantes de desenvolvimento.

Em finais do século XVI, princípios do XVII, a instabilidade da vital comunicação entre a Ria e o mar levou ao fecho do canal, impedindo a utilização do porto e criando condições de insalubridade, provocadas pela estagnação das águas da laguna, causas estas que provocaram uma grande diminuição do número de habitantes - muitos dos quais emigraram, criando póvoas piscatórias ao longo da costa portuguesa - e, consequentemente, estiveram na base de uma grande crise económica e social. Foi, porém e curiosamente, nesta fase de recessão que se construiu, em plena dominação filípina, um dos mais notáveis templos aveirenses: a igreja da Misericórdia.

Em 1759, D. José I elevou Aveiro a cidade, poucos meses depois de ter condenado, ao cadafalso, o seu último duque, título criado, em 1547, por D. João III.



Em 1774, a pedido de D. José, o papa Clemente XIV instituiu uma nova diocese, com sede em Aveiro.

No século XIX, destaca-se a activa participação de aveirenses nas Lutas Liberais e a personalidade de José Estêvão Coelho de Magalhães, parlamentar que desempenhou um papel determinante no que respeita à fixação da actual barra e no desenvolvimento dos transportes, muito especialmente, a passagem da linha de caminho de ferro Lisboa-Porto, obras estas de capital importância para o desenvolvimento da cidade, permitindo-lhe ocupar, hoje em dia lugar de topo no contexto económico nacional."

BIBLIOGRAFIA: "DIAS, Diamantino, Revista AVEIRO, Câmara Municipal de Aveiro, pp. 8, 2ª Edição, Julho de 1997."

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